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Show de Silvério no Recife dá a dica da essência das próximas apresentações

Numa tarde cinzenta, um show para acender a moçada. Neste sábado, dia 21 de janeiro, às 17h, o auditório do Santander Cultural, situado num dos prédios que mais retratam a paisagem do Recife, em frente ao Marco Zero, ficou tomado pela mistura de ritmos e apreciadores da boa música e da nordestinidade. No palco, um filho de Pernambuco, natural de Carpina, no Interior, abraçado pela cidade grande após se aventurar na boleia de uma Toyota para integrar culturas, conhecimentos e expandir os horizontes no verdadeiro sentido da palavra. Após shows pelo país e mantendo uma agenda anual com temporadas no exterior, o cantor e compositor Silvério Pessoa, que já tem programação até agosto 2012, deu uma pequena mostra do que reserva aos fãs nos próximos encontros.

O show, intitulado “No Grau”, enfatizou o álbum de mesmo nome, mas também deu um gosto a mais aos ouvintes, tocando outros sucessos, como músicas do CD “Collectiu”. Ambas obras foram lançadas em 2011 e pré-selecionadas para o 23º Prêmio da Música brasileira. “Este show tem a regionalidade apresentada de modo forte, mas também tem um aspecto universal, trazendo uma atmosfera contemporânea”, explicou o artista. Integrando a programação de verão do referido instituto, que contemplará o público com apresentações de Camarão (28/01), Arlindo dos 8 Baixos (11/02), dentre outros, Silvério fez uma proposta intimista, muito próximo da plateia e conversando o tempo inteiro com a mesma.

Silvério, que pretende continuar dando destaque ao trabalho autoral nas próximas apresentações, abriu o show fazendo referência à lua, com “A volta do Mar”, parceria com Zeh Rocha. Enquanto escurecia lá fora, a próxima pedida só poderia ser “Um Café”, de Silvério e Renato Bandeira. Eis uma música para abrir a cabeça, fazer pensar e nos faz entender o artista como um amigo, alguém que vem evoluindo e divide suas experiências com o intuito de alertar, instruir. No repertório, que esquentou o recifense, ao mesmo tempo em que a paisagem chuvosa se firmava, parcerias com poetas de outros estados e também pernambucanos, como Marco Polo, vocalista da Ave Sangria. Vários textos foram frutos da experiência na oficina de literatura de Raimundo Carrero.

Aos poucos, Silvério foi denunciando a alma de um Estado ou desnudando a sua capital, com “Pernambucana” e “Esta Cidade”, ambas parcerias com Marco Polo. Não apenas através das letras, mas também de ritmos, como maracatu, ciranda, baião, xote em sintonia com sons mais urbanos. Dentre os sucessos que também revelam as histórias do Estado e da cidade, que, em alguns casos, se misturam à história do próprio cantor, “Poesia Urbana”, “Nas terras da gente”, “Saia Azul” e “Na Boleia da Toyota”. Além disso, em “O povo canta”, deixa aparente o crescimento da música por meio do intercâmbio com povos de outros estados e países.

“Aqui realmente é o Silvério, aqui realmente é o meu show. Às vezes, em eventos maiores, o artista tem que reinventar, mudar um pouco o que tinha planejado inicialmente, com o objetivo de atender às expectativas de todo o público”, disse aos presentes. Em seguida, cantou uma música que nunca havia feito ao vivo: “Sonho Bom”. Cada vez mais à vontade, descontraiu o público com histórias do seu filho, cuja colega confundiu o artista com outras personalidades.

Também em tom de humor, contou sua já superada “desavença” com o tradicionalíssimo compositor de frevo, Getúlio Cavalcanti, por conta de uma releitura do ritmo. Foi ainda mais ousado, desta vez, demonstrando um arranjo do “Último Regresso”, relembrando um ritmo bem característico, o qual esta reportagem não vai contar. Afinal, Silvério, acreditando que Getúlio ainda não ouviu, pediu segredo, e todo mundo quer paz na terra do frevo (:)).
Equipe: Thiago Hoover (Guitarra e viola de 12) Ricardo Fraga (Bateria e percussão) André Julião (Acordeom)  Virgínia Correia (Produção) Karina Hoover (Coordenação) Jackson Amil Semog (Roadie) Rogerio Nunes de Andrade (Som).