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Câmera, computador, ação

Curta pernambucano “A Menina da boneca” vence concurso nacional realizado via internet

O acesso às novas tecnologias tem permitido, a cada ano, que a produção de cinema se torne mais democrática. Abre-se campo para gente talentosa, que só precisa de uma câmera na mão e um computador para fazer um trabalho artístico com grande nível profissional, capaz de se destacar nas telonas e digno de prêmios nacionais. O curta “A Menina da Boneca”, do pernambucano André Pinto, é um exemplo disso. Inspirado nos filmes de horror de baixo custo dos anos 70 e 80, e baseado no medo de certas pessoas referente a esse tipo de brinquedo, chama a atenção pelo modo com o qual desenvolve um clima crescente, do suspense ao terror. Também salta aos olhos a ousadia utilizada na inserção de efeitos especiais, gerando um final surpreendente. A obra foi a vencedora do “Concurso de Cinema Amador 2012- Coca”, um evento realizado via internet, com inscrições pelo Facebook, voltado a filmes brasileiros produzidos independentemente e postados em agregadores de vídeo online.

André Pinto, que já integra equipes de importantes produções, aproveita, nas horas vagas, os espaços alternativos para colocar em prática toda a sua entrega à sétima arte. “Fiz Storyboard digital para ‘Cinema, Aspirina e Urubus’, e trabalhei com efeitos especiais em ‘Recifefrio’ e ‘Mens Sana’, dois curtas bem badalados. Recentemente, fiz créditos de abertura e finais para ‘O Som ao Redor’, de Kleber Mendonça Filho”. Nos curtas de própria autoria, envolve-se do início ao fim da elaboração, cuidando desde o roteiro até direção e efeitos. Em “A Menina da Boneca”, ganhador nas categorias Melhor Filme e Melhor Fotografia no Coca2012 está presente, inclusive, na interpretação.  Tudo que faz parte da vida desse publicitário, formado em Design Gráfico (UFPE) e pós-graduado em Estudos Cinematográficos, contagia-se com a arte. Sua casa vira cenário. Sua filha protagoniza a história. A esposa, Ana Evangelina Fernandes, designer e jornalista, contribui na direção de arte.

Esse não foi o primeiro trabalho independente de André que recebeu o devido reconhecimento. Dentre os curtas mais premiados de sua carreira, está “100 em 1” ( Direção, roteiro, fotografia). O filme conquistou o 2º lugar do “Festival Nacional de Curtas para Celular – Celucine”, em 2009; 2º Lugar no “12o. Festival de Curtas do Recife”, em 2011; e foi campeão do “Festival do Minuto Terror Nacional 2012”. Nessa obra na qual explora o curto intervalo da vida, o diretor confirma que hoje, com uma ideia na cabeça e talento, pode-se fazer cinema de qualidade e ser parte da nova era vivenciada pela arte no Brasil.

 

A Menina da Boneca from André Pinto on Vimeo.

Da retomada do cinema brasileiro à Era de Ouro

São dados da Agência Nacional do Cinema – Ancine: “Em 2011, a quantidade de filmes de longa-metragem brasileiros lançados, 99 no total, foi a maior dos últimos 10 anos”. Os números da produção e da bilheteria incluem o país nos mercados cinematográficos mais importantes do mundo, com planos para ocupar o quinto lugar em oito anos. Atualmente, está na décima posição. Essa fase é fruto da retomada do cinema brasileiro, iniciada na década de 90. Na época, três trabalhos foram indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro: “O Quatrilho” (1995), “O Que é Isso, Companheiro?” (1997) e “Central do Brasil” (1998), este vencedor do Urso de Ouro do Festival de Berlim. Pernambuco fez parte desse ressurgimento histórico, com “Baile Perfumado”(1997), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, primeiro longa-metragem de ficção produzido no Estado após quase 20 anos de “recesso”.

Daí em diante, Pernambuco ganhou o gás que faltava para despontar entre os principais responsáveis pela expansão do audiovisual brasileiro. Surgem produções com uma linguagem universal a partir de um olhar regional, impulsionadas pelo desejo de se mostrar as outras faces do país e pela efervescência cultural reforçada pelo mangue beat. O Estado marca sua assiduidade e reconhecimento em festivais, recebendo premiações em todo o país e no mundo. Dentre os inúmeros sucessos, podemos citar “Amarelo Manga” (2003), de Cláudio Assis; “Cinema, Aspira e Urubus” (2005), de Marcelo Gomes; “Febre do Rato”, também de Cláudio Assis, vencedor do Festival de Paulínia 2011. Todos bastante aclamados.

Mas para se ter uma ideia da força pernambucana, dos 12 filmes concorrentes no Festival de Brasília 2012,  quatro foram da terra de Chico Science. Dois deles alcançaram o título de Melhor filme de ficção, “Era Uma Vez Eu Verônica”, de Marcelo Gomes; e “Eles Voltam”, de Marcelo Lordello. Ao todo, foram 16 prêmios para as produções locais. “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho, vencedor de quatro prêmios no Festival de Gramado 2012, é considerado o longa nacional de maior circulação no exterior este ano, exibido por quatorze festivais de cinema internacionais.

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