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Muito além do paladar

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Projeto que liga carta gastrô a evento de Literatura promove uma noite cheia de charme, abordando os avanços femininos

Saborear é algo que vai além do paladar. É nesse conceito que o Yellow Gastro Pub, situado no Recife, se baseia para promover o seu projeto “Menu Literário”, o qual relaciona Literatura às mais variadas áreas do conhecimento e oferece a parte gastronômica inspirada na programação. A mais recente versão do “Menu”, realizada em julho último, teve um “quê” de quente e sensual, tanto no cardápio, quanto na mesa redonda, composta somente de integrantes femininas. Partindo do tema “Mulheres e Ideias”, elas fizeram a plateia fervilhar em forma de participação, perguntas e comentários, ao mostrarem suas visões com respeito aos avanços do gênero.

Cynthia Falcão - Cineasta

Cynthia Falcão – Cineasta

Estiveram no bate-papo, as cineastas Cynthia Falcão e Geórgia Alves (curadora do evento); a jornalista Luciana Andréa Freitas (mediadora); a deputada federal Luciana Santos; e a professora de Literatura, Flávia Suassuna, que relançou o seu mais novo livro, “Trança”. Repletas de calor humano e paixão, a nova carta gastrô afetiva da chef Juliana Coelho e as bebidas mistas do craft bartender Júnior WM foram apresentadas ao público e muitíssimo aprovadas pelas palestrantes.

Os especialistas buscaram inspiração no livro “Trança”, uma obra que traz a emoção, o amor e o desejo à flor da pele. Dentre os pratos servidos, filé de tilápia em crosta de ervas frescas, guarnecido por purê de beterraba; filé de salmão em crosta de gergelim, guarnecido por purê de mostarda a l’ancienne; camarão crocante com purê de jerimum e gorgonzola. Para acompanhar, sangria refrescante de melão com pepino, limão taiti, hortelã e vinho branco.

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Menu Literário – Carta gastrô e bebidas inspiradas na programação

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Flávia Suassuna autografando seu livro “Trança”

MULHERES E IDEIAS – Despertando os sentidos, o desfrute das iguarias deu o ponto de partida ao evento, acolhendo as convidadas, que se encheram ainda mais de energia para um debate de muitas vertentes, iniciado com várias provocações. “Como você se tornou a mulher que é hoje?” foi uma das primeiras questões. A jornalista Luciana Andréa Freitas tocou no ponto de que muito do que somos atualmente e os avanços obtidos, devemos à Literatura. “Quando as mulheres passaram a atuar na crítica e na produção literária, elas começaram a contestar a forma como eram abordadas nos livros, os preconceitos e interesses ocultos dos homens nas obras. Entendendo o próprio universo e passando a escrever, elas contribuíram para uma série de conquistas.”

Foi a deixa esperada pela professora Flávia Suassuna, conhecida por suas empolgantes aulas e palestras, para mostrar a que veio. Ela lembrou de quando pesquisou a memória feminina, resgatando a História de algumas cidades, inclusive Taperoá, terra de origem da sua família, onde nasceu o saudoso Ariano Suassuna, seu tio. “Quando fui buscar nos livros o que as mulheres das décadas passadas faziam, suas particularidades, meios de produção e de sobrevivência, não havia quase nada em registro. Então, realizei um estudo detalhado a partir do que as mulheres da minha família faziam. Era impressionante o trabalho delas. Na cozinha, por exemplo, elas montavam uma verdadeira indústria. Tudo o que consumiam era fabricado por elas. Eu registrei tudinho. Fiz mesmo como uma vingança, sabe?”, desabafou a primeira prosadora pernambucana.

Num segundo momento, ao ser indagada pelo professor de Literatura, Alexandre Furtado, presente na plateia, acerca da obra que marcou a sua vida, foi enfática “‘A Casa dos Espíritos’, de Isabel Allende, porque é um livro de mulher.” A escritora chilena também retrata um pouco da história das mulheres da sua família, apresentando três figuras femininas, que enfrentaram com coragem uma série de adversidades.

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Mulheres e Ideias – Mesa teve como convidadas, representantes do Cinema, Comunicação, Literatura e Política

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Público atento às palavras da escritora Flávia Suassuna

Outra desbravadora, participante da mesa, Cynthia Falcão, levou o assunto para o audiovisual. Cineasta desde 1997, hoje coordena a produtora da Fundação Joaquim Nabuco e atua na formação de roteiristas, tendo uma larga experiência em diretorias de entidades representativas da categoria. “Quando quis fazer cinema, meu pai disse: minha filha, faça Jornalismo. Eu cursei Rádio e TV, porque era o mais parecido. A profissão praticamente não existia aqui no Estado. Mulher na produção de cinema era assistente, moça do cafezinho…Eu desejei mudar essa realidade.” Dentre as realizações desta documentarista defensora da Cultura, dos Direitos Humanos e da História e apaixonada pelas mais diferentes faces do audiovisual, está “Berenice”. Cynthia está inteira na película de extrema erotização, dirige, roteiriza e protagoniza.

“Berenice” faz parte do Projeto “Olhares sobre Lilith”. “São 26 personagens, sujeitos construtores de novos discursos sobre o feminino. São mulheres retratadas por mulheres. Uma visão nossa sobre a nossa realidade. Os filmes são baseados no livro ‘As filhas de Lilith’, de Cida Pedrosa. Historicamente, Lilith teria sido a primeira esposa de Adão, tendo nascido, não da sua costela, mas do mesmo pó do qual o homem foi feito”, explicou Geórgia Alves, que também se aventurou pelos caminhos da produção do conhecimento, aumentando as conquistas femininas. Diretora e roteirista do premiado curta “O Triunfo”, o qual referencia o primeiro conto de Clarice Lispector, integra o Projeto, com “Grace”, que a partir de um gesto do cotidiano vai mostrando a evolução das gerações. Geórgia frisou a ausência de registros em audiovisual para a construção dos filmes, afirmando ter sido essa uma das razões que impulsionaram a iniciativa.

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Alexandre Furtado – Professor de Literatura

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Humberto Santos – Jornalista

Outro ambiente bastante hostil às mulheres, a política, foi alvo de questionamentos. Diante da constatação de que existem mais de 11 mil logradouros no Recife e só 651 têm nomes de mulheres, ficando as avenidas para os homens e travessas para as mulheres, na sua maioria, começa uma nova discussão. O jornalista Humberto Santos, ouvinte da palestra, destacou dentre outros cargos políticos, a ausência da presença feminina na posição de governador em Pernambuco, perguntando: “somos um Estado machista?” Com a palavra, a deputada federal Luciana Santos devolveu a indagação. No entanto, concordou que existe pouca representação feminina na política. “Muito se avançou. Hoje já temos uma presidente da República, mas ainda há muito o que se conquistar. Estamos lutando, por exemplo, com vistas a termos um tempo igualitário para o horário político.” Segundo a deputada, a receita de combate a todas as desigualdades, tanto com respeito às mulheres, quanto às demais minorias, será o investimento na Cultura e na Educação. Todos concordaram.

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Luciana Santos – Deputada Federal

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Júnior WM – Proprietário do Yellow Gastro Pub e convidados

Matéria do Diario de Pernambuco “As ruas são dos homens”

SERVIÇO

Projeto “Menu Literário”

Mesa Redonda: A cada mês um tema diferente e novos convidados

Quando: uma Quinta por mês (geralmente a última quinta), 19h
Onde: Yellow Gastro Pub
Rua Conselheiro Nabuco, 190, Casa Amarela

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