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Entrevista Exclusiva : Silvério Pessoa

Dos cafundó do mundo para ser referência no país e no exterior

Silvério Figura, digo, Silvério Pessoa é gente da gente. Menino do interior, natural de Carpina, Pernambuco, não nega no sotaque, nas letras e ritmos que influenciam a sua música, que veio das “brenhas”, “dos cafundó do mundo”. Com sua história, ele ensina que você pode ser simples e brilhante; afeito ao folclore de sua terra e disposto a absorver outras manifestações culturais; saudosista e moderno; possuir uma poesia romântica e de protesto. Afinal “tudo depende do ponto de vista, … de como se ver a vida, …de querer o melhor”.

Em texto publicado no seu site, pode-se entender um resumo do som desse músico, cantor e compositor. “Silvério dá tratamento contemporâneo a referências do cancioneiro popular da Zona da Mata, Agreste e Sertão do estado, com o cuidado de não descaracterizá-las. Rock, hip-hop, punk e intervenções eletrônicas são algumas sonoridades absorvidas pelas tradições e refletidas num trabalho que sai do interior de Pernambuco e conquista ouvintes do mundo todo”. Como grandes influências, os mestres Jackson do Pandeiro, inspiração marcante em “Batidas Urbanas – Projeto Micróbio do Frevo” (2003); e Jacinto Silva, homenageado em “Bate o Mancá – O Povo dos Canaviais” (2001).

Os últimos lançamentos, “No Grau” e “Collectiu”, ambos de 2011, foram pré-selecionados para o 23º Prêmio da Música brasileira, o antigo Sharp, que também já foi chamado de prêmio TIM de Música. Ou seja, uma importante referência nacional. “No Grau” confirma a trajetória já iniciada com “Cabeça elétrica, Coração Acústico”, com novos revestimentos de melodias, criando diálogos com a cultura do Interior e a música urbana, propondo a tradição como música contemporânea. Vários textos foram escritos e reescritos, partindo da experiência de Silvério na oficina de literatura de Raimundo Carrero. “Collectiu” é um coletivo na língua occitan. Trata-se do resultado dos “encontros do artista com as bandas francesas Occitans (que têm uma proposta de trabalho envolvendo a modernidade e as tradições locais), durantes as turnês internacionais”. Desde 2003, Silvério vem fazendo essa aproximação entre tais culturas, tendo também integrado vários festivais na Europa e Ásia.

No início de carreira, foi vocalista da banda Cascabulho, com a qual gravou “Fome dá dor de cabeça”. Com a mesma, “fez turnês pelo Canadá, E.U.A. e Alemanha. Participou do Free Jazz; de três edições do Abril pro Rock; e recebeu, como compositor, o Prêmio Sharp de Música em 1999, categoria Regional”. “Bate o Mancá – O Povo dos Canaviais” (2001), baseado nas músicas de Jacinto Silva, foi o primeiro trabalho na carreira solo. O álbum recebeu quatro estrelas da Revista Le Monde de la Musique; e foi selecionado entre os melhores lançamentos do ano pela Revista Vibrations, ambas francesas.

O terceiro CD, “Cabeça Elétrica, Coração Acústico” (2005), um trabalho autoral, com participação de grandes talentos brasileiros, rendeu a Silvério o Prêmio TIM de Música, de Melhor Cantor, na categoria Regional, em 2006. Fundamentado nesse disco, foi lançado, em 2007, o primeiro DVD do artista. O “Cabeça Elétrica, Coração Acústico” e o “No Grau” serão as obras que possuirão maior destaque nas suas próximas apresentações, no Recife. Foi o que informou Silvério numa entrevista exclusiva gentilmente cedida ao “Lidão”, após show recente na capital, no dia 21 de janeiro. Silvério viaja para Porto Alegre, dia 04 de fevereiro, mas estará de volta à terra do frevo, para esquentar o carnaval da cidade, a partir do dia 11. Confira a entrevista.

Lidão: Dois mil e onze foi um grande ano, não é? Dois álbuns, consolidação de sua carreira no exterior, participação em várias listas de melhores álbuns…Fale um pouco sobre isso e o que significou para você?

Silvério: Dois mil e onze marcou intensamente a minha carreira. Dois álbuns, o “No Grau” e o “Collectiu”. Este último foi o fruto de um trabalho de pesquisa, de sete anos, com grupos no sul da França. As críticas todas positivas no primeiro vídeo emendou com uma turnê na Europa. Dei continuidade a um projeto de residência de 2010 e ao trabalho vinculado ao meu mestrado. Posso destacar ainda o Itaú Cultural, que também é um projeto coletivo, com quatro músicos, unindo-me a artistas de São Paulo, Porto Alegre e Natal. O ano culminou com o lançamento do “Collectiu na Europa; com minha participação, em novembro, na Bélgica e Holanda, no Europália, evento que faz intercâmbio cultural entre países e que teve o Brasil como tema no ano passado. E, para minha surpresa, os CDs “No Grau” e “Collectiu” em listas de melhores discos. Foi um ano bem especial. Estou superfeliz!

Na Mira do Groove , Mundofonías, Embrulhador

Lidão: Programação do carnaval?

Silvério: Começa com um show fechado, no dia 11, no Clube Internacional. No sábado (18), tem Polo Várzea, com Selma do Coco, que será uma honra fazer. Também ficarei muito feliz de dividir o palco com Monbojó, no domingo (19), no Pátio de São Pedro; e Pedro Luis e a Parede, na segunda (20), em Olinda… e por aí vai.

Lidão: O que os foliões podem esperar de você nesse shows? Quais sons você vai trazer?

Silvério: O conceito de carnaval em Pernambuco ampliou bastante, não é só frevo. Esse ritmo hoje dialoga, combina, promove encontros. Eu pretendo dar ênfase ao trabalho autoral, fazer algumas leituras de frevo-de-bloco também, mas enfocar bem os recentes projetos, o “Cabeça Elétrica, Coração Acústico”, o “No Grau”.

Lidão: Próximos projetos (depois do carnaval):

Silvério: Tenho em Porto Alegre, o Itaú Cultural. Um show em São Paulo, em abril, dentro do mesmo projeto. Vou passar um mês em São Paulo divulgando o disco e trabalhando meu mestrado. Junho aqui, em Pernambuco. Depois Europa novamente. Até agosto 2012, já estou com a agenda lotada.

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